6 de set. de 2015

ENCARANDO DE FRENTE: ASSUMINDO OS CACHOS.

Por que você decidiu assumir seus cachos Lanita? 



Não foi necessário. Não fui obrigada. Não sofri preconceito por ser negra (sim, sou negra, não morena) e com cabelos alisados. Não foi imposição familiar. Tantos "nãos" que não existiram que sequer foram responsáveis em me fazer querer essa mudança radical e extremamente satisfatória. 
Acordei em um certo dia pensei: Quem sou eu? Quem é a Alana Andrade? Por que já não me sinto mais satisfeita com essa aparência a qual tomei? Qual a razão de eu não estar mais satisfeita? 
A principio as respostas não me vieram em mente. As perguntas iam se acumulando. E como sou espontânea em muito das situações as quais me envolvo, num estalar de dedo, decidi encarar de frente as situações que me iriam aparecer, ser impostas, independente. Até o momento não havia obtido forças para encara-las. Mas encontrei uma luz em um poço cavado e abandonado, nele muitas outras forças e atitudes vieram para que eu pudesse encarar muitas outras situações que iam se dispondo em minha vida. Foi no poço da "auto-aceitação" que a luz ofuscada pelas imposições sociais, se iluminou. Tal como a lua, que brilha lindamente, para em determinado momento ofuscar-se para que o sol venha a iluminar. Eu era a lua, o sol era o poço. Gerei um eclipse. Gerei coragem, ou ganhei-a de presente de seres iluminados que compreendia que era hora de encarar coisas adormecidas e não esquecidas, que ainda magoavam. Era hora de ser, parcialmente Alana. 
O cabelo foi só uma consequência de tudo a qual eu resolvi enfrentar, aceitar, assumir. A consequência que maior me deu visibilidade em poder falar de todas as outras. 
Assumi por sentir a necessidade em me aceitar. Assumi por perceber que era a hora em assumir. Assumi por já não me sentir bem com o que antes via no espelho, espelho este que estava virado para a parede para não refletir o que eu não gostava de ver refletido. Ele voltou a me ver, a me enxergar, a me visualizar para que eu pudesse, em lágrimas dizer: "é a hora". 
Não é exagero cada linha descrita. Foi um paradoxo interno, um conflito maior ainda do que o acima descrito.
Estar em família e receber comentários como "seu está feio, tá na hora de retocar a raiz". Ou, acordar e sentir-se feia pois seu cabelo não está como quer. Envolvia tantos fatores, Mas o maior deles era o fator de eu querer! Eu quis, eu o fiz. E sinto-me melhor assim. Acredite, muito melhor. Redescobri-me em diversos aspectos.
Depois de feito, ah, veio tantas outras 'cousas', que, guardo para um outro determinado momento poder descrever. 
Se vale um conselho, invista na possibilidade de mudar. De dentro para fora. É o principal e mais importante detalhe nisso tudo. 

Texto: Lanita Andrade
Fotografias: Autorretratos. 2015 x 2014.