28 de set. de 2013

APENAS UMA EXPERIÊNCIA PARA SE GUARDAR.





- Poxa, tão novinha e é tão 'depravada' assim?
- Ela tem 19 anos. Você sabe o por que ela é assim?
- Já nasceu assim. Pau que nasce torto não se indireta, olha só com quem ela anda.
- Engano seu. Ela sempre foi a mais tímida e recatada da turma. Na escola era chamada as vezes e cdf, chata, nem passava cola. Cheguei a pensa que ela era um peixe fora d'água. Do tipo de menina que não combina com balada nenhuma, com garoto nenhum, que nem combinava consigo mesmo.
- E o que a fez mudar tanto assim, como você diz?
- Quer mesmo saber? então senta que eu te explico.
O que a fez ficar assim, foram pessoas como você. Que cobram demais, exigem demais, criticam sem se informar, julgam mesmo e eu acho que até um preconceito sofrido na infância. Se o cabelo estava longo, parecia evangélica e deveria cortar; se estava curto, parecia de homem. Se emagrecia, a 'saboneteira' fica aparente demais (detalhe que ela sempre esteve ali) e parecia anoréxica, aliás, ela chegou a desenvolver alguns atos bulemicos só para parecer menos encorpada, pois disseram que ela tinha coxas grandes, e isso fazia parecer que ela queria chamar atenção, mas na verdade ela queria se esconder o máximo possível; ou talvez desenvolveu isso pela culpa que já sentia em demasia e só quis colocar pra fora.
Imagine para uma pessoa como aquela garota, intitulada a ruim da família dizer um 'não'. Poxa, no mesmo instante se transformava na pior pessoa do mundo; no contrário, dizer 'sim' deveria ser sua obrigadação, para acabar com a imagem negativa que nutriam de si. Era obrigada a usar máscaras as vezes só para agradar; ser educada para não machucar, aceitar que era normal ser assim e ponto.
Entende o que quero dizer? Ela simplesmente cansou de levar pancadas da vida. Garotos infiéis. Amizades falsas. Espelho mentiroso. Pais super protetores. Familiares fofoqueiros. 
Já que ela estava fora do padrão,  mas não do seu, dos diversos que foram imposto por milhares de opiniões que ela insistia em dar ouvidos, ela cansou-se. Ligou o botão foda-se e foi. Por que, poxa vida, a garota merece descobrir um pouco do mundo, das baladas, das bebidas (na medida para deixar alegre), dos garotos, dos desejos. Mas não foi o suficiente. Ela queria mais, queria ser respeitada e aceita. O máximo que conseguiu foi ficar conhecida, mal falada, criticada e julgada. 
Por fora, saia curta (mostrando as coxas enormes), por dentro, um mundo em pedaços. Nas baladas, copo na mão, maquiagem e um belo sorriso como batom; em casa, quarto escuro, muitas lágrimas e um edredom.
Mas não foi o suficiente. Ela queria mais. Mais alívio pra alma. Então, cortou os pulsos. Para sentir na pele as dores que estavam enraizadas e assim, esquecer que as raízes estavam dentro e não fora, e sofrer de uma forma diferente, menos dolorosa, afinal, as dores físicas eram mais leves. Pode-se ver até hoje as marcas desse falso alívio. 
De tudo isso... nada foi o suficiente. Nada a fez esquecer cada mágoa sofrida. O abuso a infância. A raiva sentida pelos pais.O descontentamento de todos. Mas de uma coisa ela sabe, que quando toda esse 'depravamento' passar, vem a ressaca, e aí será a hora de acorda. Só que a garota quer adiar um pouco isso, pra fingir que tudo está bem por mais um pouco de tempo. Encarar as dores de frente doem muito, mas valerá a pena. E cada ato hoje, será apenas uma experiência para se guardar. E rir. Rir do quão infantil ela foi por achar que tudo passa assim tão fácil. Rir por não ter deixado bem claro que cada qual deve cuidar da sua própria vida. Rir, pois o riso é o melhor remédio após tantas lágrimas. 
Mas você, está livre para pensar o que quiser dela hoje. Não sou vidente, mas vejo que ela vai superar. Aí, se quiser voltar para prosear e me dizer a sua opinião sobre a 'depravada' de apenas 19 anos, volte. Teremos muito assunto a discutir.

Texto: Lanita Andrade.
Imagem/fotografia: via internet.

24 de set. de 2013

QUE CADA DIA SEJA UMA NOVA CHANCE







Por qual razão sempre esperam que caia uma lágrima de nossos rostos quando falam de alguém querido que já se foi?
Sim, nós perdemos alguém importante (e eu juro que minha fixa sequer caiu ainda, ou fez qualquer menção de cair), porém, basta lembrar do sorriso, da gargalhada, dos abraços apertados, dos apelidos engraçados, dos momentos de descontração, que aquela vontade de chorar passa.
Não menciono aqui a necessidade de esquecer, ou fingir que está tudo bem. Sequer sinto menos falta por ser menos amiga, ou por ter sido menos filha, ou menos sobrinha, ou menos neta (alusão a pessoas especiais que perdi nos últimos anos), eu sinto falta e ponto.
E a cada vez que perco mais uma pessoa especial, me sinto leva a um luto que vivi e que estou a poucos passos de superar, uma perca traumática pra mim, que marcou intensamente, e eu fiz com que cada marca ficasse mais visível possível e dolorosa do que poderia ser. Como? Afundei-me em uma depressão. Com direitos à uma falsa aceitação, e um falso alívio de início seguido posteriormente de saídas exageradas, companhias sem proveitos, bebidas, beijos sem sentimentos, desequilibro total de um 'eu' que eu nunca cheguei a descobrir como era, pelo fato de que eu estava em volta de uma nuvem obscura e que me fazia sentir mais medo de estar fora dela [ quando eu conseguia ver a luz], do que em sua maléfica companhia. Parece fácil falar disso hoje, depois de tudo, mas não, ainda não. Por que cicatrizes profundas só se curam com uma bela terapia, esta feita por si mesmo  em si. E eu ainda estou aprendendo.
Mas voltando ao fato de não chorar ao falarem de alguém que se foi à pouco é mais pelo fato de que sorrir é menos doloroso, e talvez a alma de acalma quando me proponho a tentar ser feliz, mesmo com um pequeno pedaço faltando.
Deus permitiu que vivêssemos esse momento. Algo tem a nos ensinar. Que cada dia seja uma nova chance de aprender, e superar, e aceitar, e reviver, e crescer, e amar a vida que ainda temos a viver!


Autoria: Lanita Andrade.


Boa Noite!

13 de set. de 2013

AGRADE A QUEM AGRADAR.



E hoje eu decidi que pouco me importa a opinião alheia. Liguei aquele botão de palavra forte e um pouco pesada; não sabe qual: ah, é o tal do 'FODA-SE'! Fale bem, fale mal, fale, se não quiser não fale. Poxa, eu quero viver a minha vida, não a sua opinião. E chegar a esse denominador as vezes exige uma grande caminhada, muitos tombos, choros, machucados (que um simples beijo de mãe não sara, até por que eu já não a tenho mais para beijar os ralados da vida, preciso aprender sem ela como fazer tais machucados cicatrizar). Tá com pena? Acha que sou assim, "meio torta" devido a ausência de uma mãe na minha vida? Por favor né, eu já antes de sua partida o que era certo e errado, porém não sabia as consequências de tais atos, e acabei por cometê-los (os atos), talvez por pirraça, ingenuidade, experiência ou qualquer outro nome que queira dar para as atitudes que tomei.
Estou me redescobrindo, e a cada dia percebo que é mais e mais difícil saber o que exatamente eu quero, já que sou bombardeada de influências alheias (pais (minha madrasta também é minha mãe, e das boa por sinal), amigos, família, sociedade, namorado, etc.), assim fica difícil manter-se firme, até por que eu sempre precisei da opinião alheia para tomar decisões. Sempre fui do tipo que se me dissessem: você está meio gorda, eu já me achava a mais gorda do mundo. Quando os garotos do colégio me zoavam chamando-me de apelidinhos grotesco -só para me infernizar e fazer-me tirar o sapato dos pés e correr atrás deles, querendo machuca-los fisicamente com a mesma intensidade que me machucaram interiormente-, eu dormia acreditando ser tudo aquilo de horrível que me falavam. Quando as minhas amigas, milagrosamente se apaixonavam pelos garotos que eu escrevia em meus diários, eu me sentia menos ainda, não sabia o que havia de errado comigo, o por que eu não era completa; seria a minha aparência?, o aparelho nos dentes, o cabelo crespo, ou o que?
A verdade é que, uma opinião não solicitada e mal compreendida, machuca quem liga para a mesma. E eu me machuquei muito ouvindo tais opiniões. É, sou uma boba, uma mulher-menina. Pior do que as criticas alheias, foram as criticas que empreguei a mim, a autocrítica. Me olho nos espelhos muitas vezes me achando feia, fora dos padrões mulheres passarela, cabelo perfeito, pele linda, dentes bem distribuídos, entre outras características empregadas por mim mesma em mim mesma. Isso tudo me gerou algumas dificuldades escolares (apesar das notas serem boas); relacionamentos mal resolvidos; amizades pouco duradouras; festas em exagero, bebidas demais; uma bulimia (já esquecida); e uma auto estima, que de alta só o nome. Me machuquei mais do que o mundo poderia machucar. E hoje, os machucados ainda estão expostos querendo cicatrizar.
Decidi me curar! Sei que há um espírito de luz que me protege e fala as vezes pro meu sexto sentido tomar cuidado (sou adepta ao espiritismo, caso tenham percebido). Não importa sua crença, religião, filosofia de vida, hábitos, desde que faça bem a ti, sem necessariamente machucar teu próximo, vá em frente. A vida é tão curta afinal, que tal aproveita-la fazendo um belo plantio, para que consigamos ter uma ótima colheita. Uma colheita feliz!
Ainda tenho muito a aprender, porém, hoje eu decidi ser diferente. E hoje, para a minha alegria, decidi ser eu mesma, agrade a quem agradar!

Autoria: Lanita Andrade.

Fotografia: Daniel Viegas.