30 de ago. de 2015

ASSÉDIO QUE FALA






Tenho visto tanta coisa. Tenho vivido tantas coisas. Me pergunto em vários momentos se é seguro sair daqui para ir ali fora e encarar por mais um dia a hipocrisia que vivemos. 

Estou preparada para aguentar calada mais uma vez o assédio dos "trabalhadores e pais de família" que moram na rua ao lado? 
Estou preparada para ver a expressão de decepção da amiga que não se calou diante do assédio e quase foi agredida fisicamente, mas não escapou da agressão verbal?
Estou preparada para ouvir cada vez mais o machismo gritando "cala boca mulher, faça oque eu mando", como se fosse eu a escrava sem alforria da palavra?
Estou eu preparada para ouvir explicações falidas de argumentos para assédios  que vivemos, como por exemplo: "sua roupa está muito curta", "você provocou andando assim", "você é mulher, é normal", "não é cantada, é elogio", "nossa gata, foi só um elogio", dentre tantas outras. 

Sim, eu estou!!! Pois, como disse a Pitty, "não mais voltarei para a cozinha., nem para a senzala" (com algumas alterações). Nem passarei a chapinha no cabelo para passar despercebida ou alongarei o comprimento da minha roupa por medo de ser assediada. Tampouco fecharei os olhos e a palavra diante destas situações. O assédio que eu vivencio (pois o sofro quase que diariamente quando saio na rua) não vai me calar, vai me fazer falar, expressar que eu já não suporto mais. E se eu me calar, eu ei de juntar em mim forças para falar. 
O medo não acabou, mas uma coragem tem começado a brotar. É a coragem de ser mulher, negra, cacheada e dona do meu corpo! Já podem se acostumar que mais outras existem e existirão por aí! 



[Texto: Lanita Andrade, ago-2015
Fotografia: Autorretrato, ago-2015]

20 de ago. de 2015

#LookDuJour: Exposição agropecuária.





Ocorreu em Barra do Bugres, dos dias 13 à 16-08, a exposição agropecuária, ou rodeio, aqui. por eu ter decidido de última hora que iria, não providenciei roupa alguma para ir. Nem sou fã, na verdade, em comprar roupas para um determinado evento, por que na maioria das vezes acabo nem usando a roupa depois. 

Para compor os looks, optei pela repetição de peças (não tem problema algum nisso).





[Não tem fotos do segundo dia, por nele usei roupa totalmente diferente dos outros dias.]

 • No primeiro dia, usei jeans, camisa e bota branca. 




• No terceiro dia usei a mesma bota do primeiro dia; calça preta, camisa e lenço. 






• No quarto dia, repeti a bota do primeiro e segundo dia. A calça do primeiro dia. O lenço do terceiro dia (amarrado de maneira diferente); incrementei com um corpete. Reparem que o cinto é o mesmo do terceiro dia também. 


[Desconsiderem as qualidades fotográficas, fotos tiradas pelo celular, que tem pouca resolução hahaha]


E aí, alguma dúvida de que repetir roupa é legal?! 
grin emoticon

8 de ago. de 2015

SOBRE EXPECTATIVAS





Sobre expectativas: não as deposite em mim. Não sou como outrem houvera sido, nem como alguém será. Sou como eu gosto de ser, pelo menos na maioria das vezes. Gosto das coisas que me fazem bem. Minhas opiniões se modificam em uma velocidade magicamente rápida, pois sou como Raul disse "uma metamorfose ambulante", e eu prefiro sê-la. 
Não sou a vergonha da família, nem o orgulho maior dela. Não sigo os padrões midiáticos. Não tenho a sexualidade como ponto de partida para princípios éticos, nem demonstro ser alguém que eu não sou, cada opinião desta é meramente culpa tua, que me vê como quer ver. 
Qual a razão em depositar em mim pesos como: 
"Seja a melhor aluna", sendo que nem sempre os melhores são realmente bons, as vezes meros decoradores de conteúdo;
"Seja diferente". Em que aspecto? No que diz respeito a ser uma 'lady', comportada, que não beba muita, não saia muito, pense em construir uma família ortogonal, cuide do teu casal de filhos e viva para isso? Até que ponto a MINHA diferença te interfere e até que ponto tu acha que ser diferente é positivo? Qualquer que seja a resposta, não me interessa, de verdade. 
"Sua mãe foi uma pessoa incrível, você tem que se parecer com ela" ou "você precisa tocar como teu pai, ser inteligente como ele". Já parou para pensar que cada qual é de uma forma e se juntar os laços que me unem aos meus pais, sobrará aparência física e caráter. 
"Você poderia alisar teu cabelo, ele é mais bonito espichado". Oi? Agora meu cabelo delimita o nível de beleza pessoal? Por que fisicamente devo seguir padrões familiares e viver deles, como únicas razões em existir?
Cada dia ouço coisas, que de certo modo acreditei não ouvi-las. Me surpreendo com a capacidade de pessoas próximas, lembrarem-se de mim quando necessitam de atenção, de cuidados, de auxilio, declaram socialmente um carinho, que no fundo inexistem, a troco de que? De fazer-me me sentir querida, para possíveis necessidades que eu possa a vir sanar. Já não tenho saco para tais coisas a anos. 
Estou longe de se rum modelo a ser seguido. Estou longe de ter atos sempre saudáveis e corretos. Estou longe da fé do tamanho do grão de mostarda. Longe de muita coisa, porém a cada dia mais perto de mim. Eu, quase sempre somente eu, compreendo o peso das palavras que eu transmito e recebo. Uso-as como fonte de melhora, de reforma íntima, para dar a "cara" à tapa e explicar que cada ser é único em sua existência, onde precisam cuidar de suas vidas singulares e únicas também. Respeitemos as diferenças, limitações e gostos alheios para receber o respeito. 
Ao fim de tudo, fica o respeito e boas lembranças. E aonde quer que esteja, minha mãe soube me ensinar isso, meu pai reforça a cada dia. Ninguém, ninguém mesmo sabe como ela agiria em situações as quais me julgam como errada, nem mesmo ela saberia, pois ela não teve oportunidade em vivencia-las. Tampouco você sabe, como você agiria em situações as quais a vida vai te proporcionar repensar vários pontos de tua vida. 
Qual a razão de achar que eu deva saber como ser? Que eu deva ser o modelo que tu gostaria de ser? Sou eu, o reflexo de meus atos, mundo ao qual vivo, pessoas com as quais me relaciono, experiências, crenças, cores, cheiros, gostos, toques, de uma infinidade de coisas... não da sua opinião. Assim tu também é.

Texto: Lanita Andrade (@desabafosdelanita)
Fotografia: eu por Pablo Ricardo Kulpe , em Aripuanã - MT.