29 de set. de 2015

E SE TROCARMOS O INCERTO PELO CERTO(?)





Houve um tempo em que os olhares se cruzavam com sutileza. Nada diziam. Conversavam entre si sobre desejos, vontades, afinidades e não eram compreendidos. Os donos destes olhares não permitiam haver uma compreensão mais aguçada sobre o que anos mais tarde ficaria tão claro e límpido quanto o azul da cor do céu em um dia ensolarado.
Em tal tempo passado, trocávamos alguns e se, por outros e se: "e se for recíproco" por um "e se não for o que estou pensando". Ao fim, somente incertezas. 
Neste tempo o riso era frouxo, a vontade em estar perto e acompanhar-se da presença de nós bastava. Nada cobrado. Nada prometido. Nada entendido. Nada dito... só o olhar que falava. Por alguma razão foi necessário cruzar este caminho chamado "nós" e seguirmos-nos por estradas diferentes. Eu na de chão, você no asfalto. Eu no interior, você capital. Eu com as palavras, você com a certeza. Eu com a saudade, você com ela também.
 "Ainda assim eu vou...."
"Ainda assim eu vou..."
Frases sendo ditas simultaneamente aos pensamentos que as completava. Sendo datilografadas na mesma velocidade e tempo. Já é chegada a hora em que nos complementamos. 
Já não tinha mais o olhar. Uma barreira física não permitia esta conexão tão próxima. A proximidade foi estabelecida de uma forma mágica. Ah tolos, envoltos pela vontade em estar perto,  nãos sabem que nem tudo precisa de explicação? Que nem tudo tem uma razão. As vezes  "para que" e "porque" é só questão de ser. Voilà, a resposta está em nossa frente. Tempo. Não somos senhores dele, mas sabemos que se hoje chover ou fizer sol, vamos nos deitar ao fim deste dia/noite longo cm um sorriso, que sorrido junto, vai embalar nossos sonhos. Num eterno paradigma, com uma nova questão a ser respondida "e se trocarmos o incerto pelo certo?"