22 de mar. de 2015

TALVEZ EU PRECISASSE.







Foi surpreendente rever você e perceber que ainda (de alguma forma, pequena talvez), consegue mexer comigo. Não é o toque, pois sequer lhe deixei me tocar. Não foi os gestos. O seu olhar. Ele penetra no meu e não me permite desviar. Ouço palavra à palavra através dos seus olhos. 
Tocou o sinal, o alertar. Eu deveria me levantar e partir, te deixar partir também, pois se você foi, não foi por que eu quis, foi uma escolha sua, egoísta e fria. A única opção que eu tive foi a de ficar sentada, te ouvindo me encher de expectativas vazias e perdidas em uma ilusão - esta última é de meu pertence.
Quando chegou, tempos atrás, não me dei conta da facilidade com a qual você me conquistava. Me deixei levar. Talvez eu quisesse. Talvez eu precisasse sentir-me aberta à novas oportunidades de relacionar-me com alguém. Ou talvez, o teu sorriso tivesse algo diferente. Ele tinha. Era mais sedutor e mentiroso que os que eu estava acostumada. Eu não percebi.
Mais uma vez, adeus. Mais uma vez o vazio fica sem respostas. Não te quero. Se quero não assumo. Se assumo não dou importância. Se importo, esqueço de me importar. 
Assim, desejo a ti o que eu possuo e acho que merece: ser feliz! Não vou lhe esperar surgir de novo com outras expectativas ou outras palavras ditas através do olhar. Vou ficar, você vai. Se puder, pode sumir, por favor, Marte te espera ansiosamente. 
Ah, sua louca apaixonada por paixões confusas. Mais um sorriso se foi ficando o que realmente lhe pertence: teus sorrisos, teus passos, tuas ilusões não premeditadas. 

Fotografia: Aline Andrade ( @alinevsandrade )
Texto: Lanita Andrade ( @desabafosdelanita )