Tenho certo hábito em dúvidar da minha capacidade. Um ato auto destruidor, que não é benéfico, óbvio. Escolho demais e opto por não escolher, por medo de fazer escolhar erradas. Tal como: 'se eu confiar naquela pessoa posso me magoar, ela pode não ser meu amigo, mas se eu não confiar vou perder a oportunidade de aprender algo que ela tenha a oferecer e que essa relação tenha a oferecer', e no fim, me afasto para não criar expectativas e desprazeres. Amarga é a sensação de medo constante.
Repreender-se por não acredita em si. Desacreditar de todos, sendo que a razão de tudo é tão subjetiva e íntima que os demais acabam por sofrer com essas atitudes.
Um exemplo, aproximo-me de alguém, torno-me amiga. Em um belo dia (com razão ou não) sinto que devo me afastar e simplesmente sumo da vida desta pessoa. A evito, não puxo mais assunto e nem respondo mais. Na maioria dos casos, são essas pessoas, reflexos dos medos internos. Como assim? Se eu morro de medo de falsidade, alguém me magoa com alguma atitude que eu acabo denominando falsa. Se eu possuo medo de relacionamento amorosos infantis e instáveis, encontro alguém que está numa vibe livre, leve e solta e acabo me envolvendo com esta pessoa, por fim me magoo por que esperei demais de alguém que não me prometeu nada, só que estaria ali, mas não sempre. É assim, um tipo de atração, só que ao inverso. Ao invés de atrair positividade, curiosidade pela vida, algo que me instigue a crer que sou capaz, atraio na maioria das vezes o oposto. Por quê? Por que o ser humano está acostumado que sofrer é sempre a razão de ser. Vemos noticiários com diversas desgraças, a política piorando a cada dia, a saúde decaindo, famílias se deteriorando, estudo desleixado, enfim, somos bombardeados de uma massa cinza bucólica negativa e sintonizamos-nos à ela, como se fosse preciso.
As baladas são, na maioria das vezes, distrações de uma vida cotidiana estressante. Música alta que não te permita ouvir as coisas ruins que sua alma grita. Gente o suficiente para não te permitir ficar só e tentar não sentir-se só. NÃO, eu não falo de sintomas depressivos, falo de uma essência que precisa ser revertida e criar novos paradigmas.
O caminho para melhorar isso, deixando o arco-íris com sua infinidade de combinações tomar posse de novo de nós, é simples: acreditar! Acreditar que vale a pena, que cada escolha é uma renúncia, isso é a vida. Não dá para ser perfeito, então cobre-se menos. Opte por coisas que vá lhe agregar valores benéficos, como coisas que lhe façam sentir-se bem por um tempo mais longo. Se a sensação de ter curtido uma balada a noite toda e ter dançado muito, prosseguir no dia seguinte e você acordar dançando, já é uma das opções que vale a pena. Cada ser humano tem características e sabe o que lhe faz bem, não é um ritual, são só escolhas. Cada qual escolhe o que lhe convém. Não é difícil, não é fácil, é só fazer. Como diz meu pai: "se você quer algo, queira agora e mude AGORA, não daqui um minuto, nem um minuto antes, no exato momento que tem que se".
Tenho escolhido nos diversos minutos que quero acreditar em mim, e saber fazer minhas escolhas, saber escolher! Fazer!
Texto: Lanita Andrade.
Fotografia/modelo: Autorretrato.
