18 de nov. de 2013
UM TANTO DE NÃO SABER.
No início eu achava que se tratava de uma fase, até por que esta era a explicação mais acessível que me entregavam. A tal adolescência complexa e bipolar que todos passam. Aquela coisa de meninas quererem pintar, em demasia, os olhos com lápis preto, vestir roupas pretas, calçaram seu all star cano alto e rematar todo o visual com um leggin preto, não podendo esquecer de ser revolta com a vida.
As dúvidas aumentavam, a crise de existência surgia mais cedo do que eu imagina e um sentimento obscuro por não saber o que de fato me levava a sentir tudo isso me consumia. Algo similar à raiva, falta de paciência, estresse e um tanto de adolescência aguda. Eu, apenas uma criança querendo ser 'gente grande' antes da hora. Mal sabia que o mundo exigiria de mim muito mais do que rebeldia. A vida me pede alegria, sorrisos constantes, respostas para as perguntas, relacionamentos - heterossexuais - sérios, casamento antes dos trinta, filho aos trintas, bom comportamento social, mas me da uma brecha para ser uma louca alcoolizada na balada.
A cada balada, a cada social, a cada novela passada, a cada filme de comédia romântica assistido, a cada conversa com pessoas sérias, me vejo menos parecida com o que os jovens são. Talvez por ter princípios diferentes, uma mente aberta, ou por ter um pai conservador. Sequer me sinto bem em determinados lugares, frequentados por jovens de minha idade. Acho que sou anti social, ou social demais para aceitar que não somente de um jeito. Sou bem complexa aos 20 ainda e nem ao menos sei o que quero da vida. Quero apenas, risos frouxos, abraços apertados, calma/paz/paciência, banho de chuva sem trovões, amizades sinceras e duradouras, música para dançar, um trabalho/profissão para gostar, uma casa para morar, objetivos à seguir e um caminho para poder ir, para onde haja sol.
Sobre a raiva, ela surge quando me perguntam "O que espera da vida/o que quer da vida?". Poxa se eu soubesse, já teria escrito um manual de vida e sobrevivência, pois saber o que se quer da vida é o caminho para ser feliz, não é mesmo?!
Sobre as dúvidas, elas continuam, me perseguem, me chamam, me embebedam nessa mar de incertezas... Mas taí, a minha graça de viver, não saber o que quero, mas saber o que NÃO quero. Já é um passo adiante, porém, não o suficiente para acalmar, o que hoje eu chamo de 'não sei o que estou sentindo'. Tampouco saberei, antes da meia idade completada totalmente. O tempo amadurece o que a juventude insiste em querer colher antes da hora. O que antes era apenas fase, hoje sei que com toda certeza, não é nada além de eu em mim.
Autoria: Lanita Andrade
Fotografia: Ólafur Arnalds (compositor), via Revista Um Conto.
