Habitar não é somente residir em um espaço, é fazer parte dele, ser dele, se doar a ele. Cada morador contribui para o espaço que vive, seja interferindo no aspecto físico deste, ou se entregando as graças da convivência que o espaço te permite. Moramos numa correria absurda, onde o pouco tempo que nos sobra é gasto em frente a laptops, televisões, celulares e toda essa tecnologia que é benéfica, quando não um exagero cotidiano.
Estudar a arquitetura, foi primeiramente como estudar as pessoas, como, uma psicologia construída: carne osso, madeira, concreto, tijolos, organicamente e demais formas que a vida possui.
A primeira matéria que me fez abrir os olhos para o mundo e pensar "poxa vida, que bolha eu vivia? quero isso não, seu João", foi Estética e História da Arte. Acadêmicos de AU da Unemat, entenderão o que eu digo e compreenderão a importância absurda que aquele professor doutor, exigente e inteligentemente humano tem sobre nós que tivemos a oportunidade de ser alunos dele. Sim, estou "puxando saco" pro conhecimento além da sala de aula, para a poesia que eu descobri na natureza de Manoel de Barros; para a ética em ser humana e compreender que espaços são também os de dentro.
A convivência nem sempre é ressoada em poesias. As palavras nem sempre saem como melodia. As rimas nem sempre são ritmadas. As escritas não estarão sempre na oração adequada. De todos os desencontros, eu me encontro nas oportunidades e entrelinhas deste curso, que é arte, poesia, estrutura, volumetria, fotografia, linhas e curvas, pedras de uma selva que tem encantos escondidos e entrelaçados num sorriso que é o encontro de ideias opostas e realmente válidas para poder agregar a cada dia na pessoa que eu me torno.
Sobre fazer o que gosto, com uma enxurrada de informações, uma infinita necessidade de decorebas constantes [eis aqui a forma do ensino global], paixonites intensas e amor para sempre, eu percebo que fiz a escolha certa.
Se serei arquiteta atuante, não sei. Se serei urbanista atuante, não sei. Se serei designer de interiores, de móveis, de ideias, de amor, ou se abraçarei algum outro campo das infinitas possibilidades da arquitetura e urbanismo, não sei. Mas sei eu, que hoje, descobri que estar aqui, é morar na felicidade de aprendizado e possibilidades de descobertas de um mundo que se abre a cada dia bem dentro de mim e aflora no espaço que eu vivo.
Aos que possuem dúvida, fica aqui minha contribuição: se arrisque e se redescubra!
[Lanita Andrade, 09 de junho de 2015]
[Fotografias: elas retratam, basicamente, alguns momentos importantes em minha estadia aqui.
01: Retirada por mim, foi o por do sol mais incrível que eu vi nesta cidade, que tem um céu apaixonante;
01: Retirada por mim, foi o por do sol mais incrível que eu vi nesta cidade, que tem um céu apaixonante;
02: Faz parte de um trabalho, em sala, sobre retratar uma pintura. A fotografia é de um colega de classe, Vinicius Marciniak;
03: Catedral Basílica do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Faz parte do acervo de fotografias tiradas em uma viagem ao centro histórica da capital de MT.]


