Preciso manter-me firme com este falso sorriso estampado em meu rosto! Fingir concordar com cada palavra dita, a fim de evitar conflitos, confusões, frustrações e desentendimentos - tudo isso evitado por que simplesmente concordei com o que me foi imposto (IMPOSTO, por que eu sequer tenho a decisão de desdecidir o que me falam)-, assim sendo, mantenho a santa paz externa enquanto dentro de mim uma voz grita histericamente cansada: CHEGA P$%#a!!!
Me sinto rebelde por não concordar com o que ouço, por não acreditar que saias curtas favoreçam o abuso sexual feminino. Por não concordar que cabelos cacheados estão fora de moda, que pernas e virilhas com pêlos é sinonimo de desleixo e sujeita, por simplesmente não aceitar que eu eu posso ser linda mesmo com as celulites ganhas com a genética e com as centenas de litros de refrigerante consumidos nesses 21 anos de existência física terrena.
Ah não me esqueci de discordar que uma garota é considerada puta por que dança funk, ou que para acreditar em Deus é preciso estar dentro de uma igreja de segunda à domingo oferendo 20% do meu dinheiro através de dizimo mais as ofertar semanais.
Isso por que a ranzinza aqui, ou melhor, chata, ainda nem comentou sobre o padrão estabelecido pelas famílias de que filhos precisam seguir regras quebradas pelos próprios pais antes de nós nascermos (assuntos sobre sexualidade que o digam).
De tudo isso o que mais me intriga é o fato de que eu, portadora deste corpo (passageiro) não posso simplesmente ser o que eu quero ser por que ainda há tabus internos que eu não concordo que eu simplesmente poderia quebrar e ser feliz. Como por exemplo o complexo da complexidade desta não complexa vida que eu levo. Assim sendo, eu deveria descarregar toda essa raiva de ser o pouco que eu gostaria realmente de ser,em algo socialmente aceito, como as palavras, que já são bem mais que palavras, são meus sentimentos, tão meus, que praticando o desapego resolvi compartilhar.
Aprendi que quando me perguntarem se está tudo bem, eu devo responder devo dizer: Tudo bem, mesmo que no fundo ainda não está nada bem, mas a de ficar. Afinal rebeldia tem fim, tabus são quebrados e eu ainda tenho alguns anos pela frente para corrigir esses erros meus e não meus que me são 'impostos'!
Texto: Lanita Andrade, 2014.
Fotografia: Petra Collins
